Nicho ecológico descreve a variedade de condições e qualidade de recursos dentro das quais o indivíduo, ou a espécie, funcionam. Deste modo, os limites de um nicho poderiam estender-se entre as temperaturas de 10 graus C a 30 graus C, entre outros exemplos (v. Ricklefs 2003, A Economia da Natureza)
Esses fatores ecológicos são constituídos pelos elementos naturais (componentes orgânicos e inorgânicos) da teia extremamente complexa e frágil de reações físico-químicas, movidas pela energia solar, que constitui a vida na Terra. No processo de armazenar e consumir a energia solar, os seres vivos fazem circular elementos químicos por toda a biosfera (a parte do planeta em que pode haver vida).
Cada uma das espécies de seres vivos se especializa em realizar uma parte do trabalho necessário para o fecho dos ciclos. A essa especialização dá-se o nome de nicho ecológico. Todas as populações de seres vivos (com exceção talvez de algumas bactérias que vivem da energia de fontes termais) dependem da manutenção do equilíbrio da biosfera como um todo.
Há quem confunda o conceito de "habitat" com o conceito de nicho ecológico. No entanto, nicho ecológico expressa uma realidade mais vasta: não é apenas o local onde um ser vivo vive mas também a sua função (posição nos vários ciclos de matéria e energia dos ecossistemas).
Essa confusão provém do primeiro conceito de "nicho", formulado por Grinnell em 1917. Ele descreve nicho como "o próprio espaço físico que delimita a espécie." Dez anos mais tarde (1927) Elton descreveu uma segunda definição de nicho. Segundo o autor, o nicho de uma espécie representa o papel funcional dentro de uma comunidade. Mais específicamente, a posição trófica da espécie dentro de uma cadeia alimentar. Essa definição passou a ser chamada "nicho trófico". Hutchinson, em 1957, formulou um outro conceito para "nicho". Ele propôs a idéia de um nicho multidimensional, ou hipervolume. Um espécie precisa de uma combinação de fatores bióticos e abióticos para sobreviver, ou seja, existem inúmeras variáveis ambientais dentro das quais uma espécie consegue sobreviver. Algumas dessas variáveis podem ser temperatura, umidade, salinidade, pH, recursos alimentares, locais para nidificação, intensidade luminosa, pressão predatória, densidade populacional, entre outras.
O "nicho", então (segundo a definição mais recente), é o conjunto multidimensional de recursos e condições (e a variação dos mesmos) que uma determinada espécie se utiliza. Isso implica a não existência de um "nicho vago". Se existe uma área com recursos disponíveis mas nenhuma espécie se utilizando dela, essa área não constitui um nicho. Um rio sem peixes não é um nicho a ser ocupado por colonizadores (no caso peixes), e sim é uma área com recursos disponíveis não utilizados por esse grupo de animais.
Nicho fundamental: hipervolume quando há ausência de competição com outras espécies, ou seja, todo o espaço possivelmente ocupado por uma determinada espécie. Conceito utópico, não observado na natureza.
Nicho realizado: um hipervolume menor, delimitado por fatores bióticos.